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Monday, January 09, 2006

Crítica de Cinema - Tim Burton´s Corpse Bride - A Noiva Cadáver

"Yes, I do"

A frase em cima marca o momento de inflexão da história. Em que se passa de um vulgar universo de animação de volumes para o mundo Burton.
Definir Tim Burton? Seria a resposta assim tão simples?
"Eterno miúdo gótico, fascinado pela morte e com sentido de humor "weird".
Será que isto o define?
Uma coisa é certa. O ano de 2005 foi dele e claro de Johny Depp e Helena Bonham Carter, companheiros inseparáveis do seu universo (Aquela definição entre aspas é, em parte de Carter ->e como mulher dele deve saber umas quantas coisas, não?).

Numa pequena cidade, de cerca do século XIX, prepara-se o casamento de dois jovens, que como era apanágio na altura nunca se tinham visto na vida. Victor (Depp), filho da família Dort, é un novo rico, ou seja de classe inferior que com o seu trabalho adquiriu grande fortuna, mas que ainda são considerados de classe inferior pelos seus pares. Do outro lado Victoria (Watson), filha da família Everglot, aristocratas da alta nobreza que cairam na miséria e precisam de uma solução para os seus problemas financeiros. O Casamento entre ambos vem mesmo a calhar.
E entre ambos, surge logo uma grande cumplicidade (bem expressa na cena em que Victor toca piano e Victoria o interrompe. A atracção é visível logo desde o ínicio apesar da timidez.
A timidez é ainda mais visível com um Victor muito atrapalhado durante o ensaio para o casamento não conseguindo decorar algumas palavras. O que o amor faz, não é?
Abandonando a noiva durante o ensaio, procura ensaiar sozinho, para si, dizer a frase de pedido de casamento e durante o passeio pelo parque põe o anel numa "raiz". Acaba por ser afinal o dedo da Noiva Cadáver. E é aberto as portas do mundo dos mortos para ele visitar, com a sua nova esposa. É esse o momento de viragem...

Não por ser para o mundo dos mortos (que se revela bem mais vivo que propriamente o dos vivos), mas por a mente de Burton se libertar das amarras e soltar toda a sua prodigiosa animação (aquela música de introdução do mundo dos mortos é deliciosa).
E que melhor maneira para celebrar a vida, senão pela morte (o plano final do filme com as borboletas, ilustra-o da maneira mais bela possível). Nesse momento o filme marca a sua cruz na história do cinema, como obra de grande relevo e qualidade. Não só em termos de animação "stop motion" prodigiosa, ou do tom visual do filme mas como metáfora da beleza da vida.
A afirmação da beleza deste tipo de animação de volumes está presente em cada frame do filme (os seus ideiais mas pequenos 80 minutos). Este ano foi marcado pelo regresso em força deste tipo de animação, assinando os dois mais belos momentos de animação do ano (sendo o outro o incontornável "Wallace & Grommit"). O que esta animação perde em fluidez, ganha em coração.
E ainda é o coração que emociona o mundo. Pelo menos o meu.

Nota do Filme: - "A Noiva Cadáver" - 9/10

Ps: A comparação com "O Estranho Mundo de Jack" é muito injusta, em parte tendo apenas o argumento de ser esta a segunda obra de Burton neste domínio. São dois excelente filmes de animação, ambos com argumentos e sentido de humor extraordinário e com dois temas totalmente diferentes (até o tipo de bonecos e ambiente utilizado é diferente).
Continuo a dizer a alta voz:
"Mais um Tim Burton para a mesa três...E Rapidinho."

2 Comments:

Blogger antonio_subtil said...

Eu adorei o filme, é sublime do principio ao fim e ponto final.

De facto tim burton é um excelente realizador que apenas tem uma pecha no curriculun, "Marte ataca", o que achaste dele?

Mas diz-me ginja, o que é animação stop motion?

10 January, 2006

 
Anonymous Pedro Ginja said...

Animação "Stop motion" é a animação que depende da animação dos frames do filme um a um (logo o stop do nome).
Traduzindo, quer dizer que através de bonecos articuláveis fazem os movimentos por exemplo de um braço filmando várias posições do braço até simular o próprio movimento. É isso.

11 January, 2006

 

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