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Tuesday, March 07, 2006

Crítica de Cinema - Syriana

"If anything happens to me, your kid will be killed, your wife will be killed in front of you and then you will be killed. Do you understand? "

Somo capazes de qualquer coisa para salvar a nossa vida, o nosso bem mais precioso. Mas por dinheiro tudo é possível também. Filme mosaico, muito similar (um dos seus defeitos) a "Traffic" só que em vez de analisar o mundo da droga, analisa o mundo do petróleo ou ouro negro. E os negócios que por lá se passam são ainda mais escuros que o próprio crude.

O filme acompanha um leque de personagens e histórias que se entrecruzam entre si.
Uma delas acompanha o agente da CIA Bob Barnes (Clooney), que é enviado em missão (supostamente a ultíma antes de arranjar o descanso necessário) para assassinar um príncipe arábe problemático para a agenda americana. Noutra Bryan Woodman (Dammon) é um analista/consultor duma empresa especialista em assuntos petrolíferos e que sofre um forte drama pessoal. Noutra Benett Holyday é um advogado bem sucedido, mas que muito ambiociona, de uma firma grande na área de petróleos e que procura alargar a sua influência no Médio Oriente. Finalmente Wasim Khan (Munir) é um jovem, sem trabalho, que é recrutado para uam organização terrorista.
A ligação entre todas as histórias faz sentido é verdade, mas não emociona. O que faz falta a este bom argumento é um realizador de peso. E Gaghan, apesar de ser um bom argumentista, não o é. O que Spielberg fez no esquematismo de "Munique", Gaghan não conseguiu fazer com este Syriana.

Clooney, quase irreconhecível, faz de homem desesperado. E um homem encurralado é um homem assustador. Apenas tarde de mais se apercebe da trama que o segue e que culmina no final explosivo. Clooney (recém-vencedor do Óscar) convence mas não deslumbra. Obviamente e como o próprio disse foi um prémio de consolação por tudo o que fez este ano.
Dammon, numa interpretação verdadeiramente sofrida, impressiona bastante mais. A dôr de um pai sempre no seu olhar, mesmo quando em negócios, após o acidente que marca o seu destino.
Jeffrey Wright, a confirmação de um grande actor, num papel contido mas implacável mostrando que pode fazer de tudo.
Mazhar Munir, um grande actor, no seu primeiro grande papel. O problema é que papéis de árabes não abundam no mundo cinematográfico, mas quem sabe.
O leque de secundários é de luxo, como por exemplo Chris Copper, Christopher Plummer e Amanda Peet. O problema é que a maior parte dos restantes não passam de personagens ocas. A encher o ecrã. Carne para canhão por assim dizer.

Esta análise de Syriana pareceu-vos um pouco esquemática demais não?
É que eu não consigo disfarçar, e quando um filme não me toca emocionalmente tendo a esquematizar as críticas. É uma argumento interessante (nada de revolucionário, até repetitivo), com bons actores mas que não nos envolve. A problemética do Médio Oriente é algo que me preocupa sinceramente, mas este filme nada me diz que eu já não soubesse. E à excepção do momento final explosivo e de um monólogo de Dammon de como estará o Médio oriente daqui a 100 anos pouco ficou do filme.
E de uma temática tão marcante no mundo actual é muito pouco. Espera-se sempre mais. Quem sabe ao segundo filme sobre o assunto seja de vez.

Nota do Filme - Syriana - 5/10

3 Comments:

Anonymous S0LO said...

Concordo. Apeteceu-me espancar o realizador deste filme :S!

Abraço

09 March, 2006

 
Blogger antonio_subtil said...

Contem spoillers

Eu gostei do filme.
Acho que tem duas cenas fortes, quando ele perde o filho, e a cena das unhas, muito boa a cena das unhas, principalmente quando lhe filmam os pés, e estes contorcem-se de dor...
lindo

Achei também que o filme tem muita informação o que torna a narrativa dificil de seguir, quando se falava da empresa eu ficava a ver navios e ás páginas tantas já não percebia quem instigava quem nem porque.

MAs globalmente gostei

09 March, 2006

 
Anonymous Pedro Ginja said...

Acho que as opiniões sobre o filme tende para o mesmo.

Falam, falam, mas não dizem nada...

É sempre assim....Ok, nem sempre, felizmente.

Abraço

13 March, 2006

 

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