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Monday, February 20, 2006

Crítica da Semana - Munique

"Our Worst fears came true: They are all dead"

O que fica do filme é morte. Do primeiro ao ultímo plano, tudo tresanda a morte. Um pouco forte? Talvez, mas neste filme, nunca Spielberg foi tão cru, tão negro, tão desconfortável (Nem mesmo em "Lista de Shindler").
Obviamente isto não agradou a todos os fãs do "mestre" do blockbuster. Porque "Munique" não é um blockbuster, nem sequer teve direito a uma campanha de marketing agressivo (inclusive as sessões de apreentação à imprensa foram muito, muito discretas para os tempos que correm). É um projecto pessoal e que muito diz a Spielberg. Foram muitos anos a tentar pôr o projecto de pé, enquanto outros o atropelavam e lhe passavam à frente. Porque é difícil por um projecto deste tipo de pé. Mesmo para um dos mais conceituados realizadores de Hollywood.
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O filme conta o trajecto de Avner Kaufmann. Desde a idade da inocência (vingança em mente)até se tornar indiferente. O poder da morte vai muito para além do momento, prolonga-se no tempo e espaço. Dela não há escape.
Golda Meira (primeira ministra israelita - composição fria, calculista mas maternal de Lynn Cohen), após o assassinato de 11 israelitas durante os Jogos Olímpicos de Munique, decide responder com uma campanha de vingança. Por cada israelita morto, um palestiniano, tem de morrer. É formado um grupo, com essa responsabilidade, por 5 membros, com especialidades diferentes, liderados por Avner (Eric Bana - cuja interpretação ganha corpo apenas na segunda parte do filme, da indiferença e cansaço no seu rosto). Todo o dinheiro e condições são disponibilizados para cumprir esse objectivo. Mas nem sempre o que parece fácil, o é realmente.
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O filme é muito esquemático, quando pediria no meu ver, um crescendo no seu caos. Ou então um crescer na sua indiferença. No filmar da indiferença. Na primeira parte, temos um encadear de um determinado número de assassínios, que ao fim de um tempo se tornam repetitivos. Mas Spielberg tem o bom senso de não continuar e introduzir algumas cenas memoráveis como a ida, para o mesmo esconderijo de um grupo de palestinianos terroristas, quando já lá está o grupo de Avner. A tensão criada é tanta, que chega a doer (aquele olhar de Daniel Craig é bem poderoso, senhor Bond). Mas também se vê que o diálogo é possível entre as duas parte. No fundo, o desejo de ambos é o mesmo. Ter uma casa e nada mais. É este o ponto de viragem do filme e da sua personagem principal. Os terroristas ganham cara, em Ali, e Avner questiona o que está a fazer. Será mesmo este o caminho?
É muito desconfortável, sendo o culminar na cena do assassinato da holandesa por vingança (não percebi bem aquela arma) que deixou marca.
O casting de actores é excelente e isso todos temos de concordar desde Eric Bana, a Ciaran Hinds, Hanns Zickler, Daniel Craig e Kassovitz. Apenas Geoffrey Rush soa um pouco a forçado mas sem comprometer. Como em qualquer filme de Spielberg, a qualidade da produção é excelente e sem mácula em todos os aspectos.
Também é, infelizmente, rídiculo, com a cena de sexo final de Avner com a mulher intercalada com o massacre dos atletas israelitas em Munique. Percebo a ideia de Spielberg mas realmente foi uma má opção.
Mas por alguns erros que cometa, não consegue fazer um mau filme. É contra a sua natureza. Algo, sempre, nos envolve.

É uma lição. A vida leva, inevitavelmente à morte. Mas a morte pode ter duas respostas. A vida ou a morte. Existe a opção de escolha. Uma apenas perpetua a outra tornando a vingança num círculo vicioso que cresce e aumenta em violência.
O plano (muito falado) final do filme só o confirma.
Ainda estamos a tempo de escolher o caminho da vida.
Até quando?
Nota do filme: "Munique" - 8/10

2 Comments:

Anonymous Ana Paula said...

Gostei muuito da tua crítica...Ainda não fui ver o filme mas presumo que recomendes uma ida ao cinema .

23 February, 2006

 
Anonymous Pedro Ginja said...

Claro que sim.
E quanto mais depressa melhor. Qualquer dia sai das salas de cinema. O tempo de vida de cada filme é cada vez menor.

01 March, 2006

 

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