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Tuesday, March 14, 2006

Crónicas do Escuro - Óscares

Senhor Óscar:

A entrega das estatuetas douradas, conhecidas como Óscares, é sempre desculpa para discussões vibrantes e por vezes bem acaloradas. Todos temos os nossos favoritos e, claro, os nosso ódios de estimação. Eu falo por mim, pelo menos.
À partida, uma coisa era certa, antes do ínicio da cerimónia. Estas eram as nomeações mais corajosas, dos últimos dez anos ou mais, para as principais categorias.
Porquê?
Porque a política está na moda, ter opinião política, nos dias que correm, é ter "glamour". É emocionar o mundo. É Óscar.
Ao longo dos anos, isso reflecte-se sempre nas nomeações. Como?

Por exemplo, recuando 4 anos, em 2002 (Pós 11 de Setembro) venceu o musical "Chicago". Por méritos cinematográficos? Dificilmente. Então porquê?
Mundo em estado de choque, principalmente os E.U.A, que se viram alvo de um ódio profundo. Que o mundo adivinhava mas os E.U.A. , ignorava por vontade própria.
A academia responde voltando à era de ouro do musical em plenos anos 50. A analogia é fácil de fazer. O regresso a um tempo em que a guerra também era invisível. A guerra fria com a U.R.S.S em pleno auge.

Em 2003, o povo queria esquecer. "There´s no business like show business", era o mote. As massas pediam entretenimento. Resultado, "O Senhor dos Anéis - Regresso do Rei" vence todos os Óscares em concurso, num total de 11. Desdes os anos 80 do Séc. XX que não se via nada igual, quando "Indiana Jones" dominava as bilheteiras e o coração das pessoas.

Por outro lado, em 2004, a realidade está entranhada nas pessoas. Faz parte de cada um. O mundo mudou. A morte está na ordem do dia, na televisão, nos jornais, na internet. A eutanásia (opção pela morte em detrimento da vida), representada de uma forma tão bela no "Million Dollar Baby" foi o seu veículo ideal.

Finalmente, em 2005, com "Crash", apercebemo-nos que as nossas acções têm consequências na vida dos outros, quer queiramos ou não. Podem não apreciar o seu esquematismo, a montagem pré-fabricada, a narrativa compartimentada como se tratasse de um puzzle, mas não podem negar o sentimento que transpira da tela. Podemos fazer a diferença, com o mínimo sorriso, aceno, mas nunca com a indiferença.

O que nos reserva para o ano?
Até para o ano senhor Óscar.

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