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Thursday, April 20, 2006

Crítica de Cinema - Ninguem Sabe

"Quando é que a mãe regressa? Nunca."

Este foi um filme de "feeling". Começei por o recomendar, numa semana muito fraca em termos de estreias mas admito que nada sabia nem sobre o filme, o seu realizador ou sobre os seus (pequenos) protagonistas. Apenas o vislumbre do seu trailer me tinha chamado a atenção numa sessão do Monumental. E decidi arriscar. Acreditem que não dei o meu tempo por perdido.
O filme acompanha uma família disfuncional. Mãe e 4 filhos mudam-se para apartamento em Tóquio (não tenho a certeza se era Tóquio). Até aqui parece uma mudança inocente de uma família para um apartamento melhor, mas o filme esconde uma realidade bem mais negra. Apenas um dos filhos "existe" na realidade. Os outros 3 é como não existissem. Não estão registados oficialmente. São uma espécie de "Mortos-Vivos". Para escaparem a olhares incovenientes, viajam escondidos de todos, dentro de malas de viagem (ainda hoje, mais de duas semanas após o ter visto, a imagem das crianças a sair das malas não me sai da cabeça.
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No apartamento, apenas Akira pode sair do apartamento ou ir à janela. Os outros três, Kyoko, Shigeru e Yuki, estão sempre confinados ao minísculu apartamento. A mãe, quase sempre ausente, surgindo apenas à noite, deixa os filhos a cargo de Akira, que é o responsável por os alimentar, lavar e toda e mais alguma coisa. É o homem da casa.
O problema é que um dia, a Keiko (a mãe) sai de casa e não regressa. E aí o filme começa.
Yûia Yagira, vencedor mais novo de sempre em Cannes para melhor actor, carrega o filme sobre os seus ombros, assim como toma conta de todos os irmão até ao limite do possível, para a sua idade. E o lento evoluir da situação, numa escalada que termina de forma trágica não soa a forçado nas suas mais de duas horas de exibição. Acompanhamos os irmãos nesta sua viagem, sem momentos "telenovelesco", mas numa realidade que transpira a cada fotograma que passa. Todos os pequenos actores são amadores, este foi o seu primeiro projecto, mas com excepção de alguns momentos pontuais, nunca deixamos de acreditar neles. Eles vivem o drama no olhar, nos gestos, no que dizem e no que sentem, principalmente.
Hirokazu Koreeda juntou os pequenos actores, antes de começarem a filmar, para que isso acontecesse e esse efeito no filme é de uma importância tremenda.
Koreeda transporta-nos para aquele mundo surreal (quem viu o filme percebe) e durante duas horas estamos imersos. Nada na sala nos retira a atenção do ecrã. E depois da sessão não queremos acreditar no que vimos.
Como pode ter sido baseado em factos verídicos?
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Numa das cenas mais trágicas do filme (que não vou revelar), apenas o silêncio dos protagonistas sobre um fundo ruidoso de aviões a aterrar e levantar vôo. E só nos conseguimos lembrar de uma coisa. As malas de viagem.
Por vezes irmos para uma sala de cinema sem sabermos nada sobre o filme que vamos ver é a melhor opção.
São sempre os que nos tocam mais.

Nota do filme - "Ninguem Sabe" - 8/10

4 Comments:

Blogger Francisco Mendes said...

Aqui no Porto, nem uma sala o recebeu. É vergonhoso!

24 April, 2006

 
Blogger Pedro_Ginja said...

Podes ler a crítica agora...

Foi realmente a melhor surpresa do ano até agora.

É uma pena que não chegue aí...

26 April, 2006

 
Blogger mariannegreen said...

O filme está em exibição no POrto, no Bom Sucesso.

12 June, 2006

 
Anonymous Pedro Ginja said...

Ora aí está uma boa notícia para o Porto.
Obrigado Marianne Green pela informação e volta sempre

14 June, 2006

 

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