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Wednesday, January 11, 2006

Estreias da Semana - 12 de Janeiro

Esta semana, finalmente surgem filmes com alguma qualidade. E alguns já com um palmarés bastante respeitável.
São cinco estreias para jogarem com os nossos sentidos. Neste caso com a nossa visão, do mundo e das pessoas que nos rodeiam.
Temos filmes para muitos gostos. Uns bons, outros maus, mas pelo menos alguma coisa para escolher.

- Um filme com muito a esconder
- Um filme sobre um homem do passado mas sempre presente (pelo menos em França)
- Um filme de chorar por menos
- Um filme beija, beija, leva, leva
- Um filme cabeça de jarro (hehe)

Nada a Esconder (Caché) - Michael Haneke regressa este ano, com um filme premiado tanto em Cannes como nos prémios europeus de cinema, mais recentemente, sendo, no ultímo caso, mesmo o grande vencedor, com prémios de melhor filme e realizador.
Filme realizado por Michael Haneke com Juliette Binoche e Daniel Auteuil.
E que conta a história?

Georges, jornalista, recebe vídeos, filmados clandestinamente a partir da rua, em que aparece com a família, assim como desenhos perturbadores e difíceis de interpretar, e não faz a menor ideia da identidade do remetente. Pouco a pouco, o conteúdo das cassetes vai-se tornando cada vez mais pessoal, o que o leva a pensar que o autor o conhece há muito tempo. Georges sente que uma ameaça paira sobre si e sobre a sua família mas, como não é explícita, a polícia recusa-se a ajudá-lo.

Para já esperem cenas bastante embaraçantes. Daquelas que custam bastante de olhar. Já foi citado por um crítico, que tem a cena mais violenta dos ultímos tempos numa sala de cinema. De Haneke só se podia esperar, de algo grandioso. Neste caso a violência. Noutros filmes já foram outras coisas...
Aconselhável, de um mestre do cinema e um provocador nato. Mais provocadores são necessários no cinema. mais gente que arrisque em novas soluções.
Sem dúvida é aconselhável. E como tenho dito sempre, um prémio pode não significar o melhor mas quer dizer que tem, pelo menos alguma qualidade.
O próprio realizador disse que só com o choque se mude consciências. A frase fala por si.

Um Passeio pela História (Le Promeneur du Champs de Mars ) - François Miterrand? O nome diz algo. Mas o que será. Para os mais novos o mais provável é que não diga nada. E para esses vai uma ajuda. Foi Presidente da República de França durante anos. E pelos vistos bastante influente no país do Louvre. Obviamente mais influente em França do que por aqui no burgo mas...
Filme realizado por Robert Guédiguian com Michael Bouquet no papel de Miterrand (deve ser o papel da vida dele), Jalil Lespert e Philippe Fretun.

"Um Passeio pela História" conta, ficcionalmente, o que aconteceu no fim da vida e do "reinado" de um dos homens franceses mais emblemáticos: François Mitterrand. Enquanto o Presidente trava a última batalha com a doença, um jovem jornalista apaixonado tenta arrancar-lhe as suas lições universais sobre Política, História, Amor e Literatura - enfim, certezas sobre a vida. Mas o velho homem não tem muito para oferecer, pois, para ele, chegou o momento em que passado, presente e futuro se confundem num único tempo: o tempo em que apenas as dúvidas persistem, o tempo em que todos os homens são iguais - o tempo da proximidade com a morte.

Na hora da morte todos os homens são iguais. Bonita frase. Tanto um chefe de estado proeminente como Mitterrand como um mendigo à beira da morte.
Faz uma pessoa pensar. Um dia seremos nós nessa situação. E só aí saberemos. É daquelas coisas que só experimentamos uma vez na vida. Como nos iremos sentir nesse momento?
Obviamente um filme mais relevante em França, vai passar um pouco despercebido por aqui. Talvez visionado por alguns políticos saudosos dos anos 80 ou emergentes que queiram saber um pouco mais. E o espectador comum?
Razões de interesse? Além de querer conhecer um pouco da vida (neste caso morte) de Miterrand, as opções não são muitas. É experimentar. Os críticos aconselham e ainda sabem umas coisas, na minha opinião.

Tudo por um sonho (Dreamer) - Produto formatado. Apenas esta frase diz do que trata este filme. Isso já é dizer muito.
Filme realizado por John Gatins (acabado de sair da escola, ou estarei enganado?) com Dakota Fanning (existe quem a não suporte, mas acho que a míuda tem jeito - aconselho "Homem em Fúria" com ela), Kurt Russell(num papel Disney) e Kris Kristofferson.
E o argumento?
Foi imprimido de um computador qualquer e aviso os clichés abundam.
Aqui vai.

A história de um pai capaz dos maiores sacrifícios pela sua filha que tenta a todo o custo salvar um cavalo de corrida e devolver-lhe novamente a glória das corridas ganhas.

O Cinecartaz do Publico acerta em cheio. Pouco mais há no filme do que isto. Existe isto e as chamadas cenas de encher de conflito, choro, tristeza, alegria e um final de fazer chorar as pedras da calçada.
Já assisti ao filme, num resumo de 2 minutos. Sim, vi o trailer e chegou.
Tenho a certeza.

Kiss Kiss, Bang Bang - Felizmente não deu às editoras o tentar traduzir esta expressão. Teria sido desastroso. E a conclusão a tirar. Por vezes, o melhor é mesmo não mexer no nome do titúlo e ficar quietinho. Ser inteligente é, por vezes, não fazer nada.
Filme realizado por Shane Black com Val Kilmer (no papel de detective de polícia gay) e Robert Downey Jr. (no papel de ladrão desastrado hetero). Grande dupla. Ainda conta com a presença da bela Michelle Monaghan.

Harry, um ladrão em fuga, é acidentalmente contratado como actor num filme policial de Hollywood. Para preparar melhor o papel, resolve associar-se a um detective privado e a uma actriz, mas os três acabam implicados num caso de assassínio bem real e misterioso.

Isto sim é um verdadeiro resumo do que se pass em ecrã. O regresso de um dos muitos filhos de Holywood, que um dia são deuses na Terra e no outro são ignorados e despejados no caixote do lixo sem qualquer tipo de remorso. O facto de haver drogas e alcool na mistura ajuda sempre, na desculpa, para esse despejo. E um regresso em grande é sempre de louvar.
Basta ver os dois primeiro "Arma Mortífera" para ver as qualidades óbvias de Shane Black. óptimos diálogos, com humor e "one liners" do melhor que foi feito em cinema.
Mas também falamos de um argumentista e agora sento-se na cadeira das decisões. São duas ocupações bem distintas. Estará ele à altura da cadeira do poder?
Admito que no trailer foram os diálogos que me chamaram e não as imagens mostradas. Mas o cinema é uma arte de possibilidades. E em príncipio todas são apetecidas...
Ok, nem todas. Ok, a maior parte nem por isso. Ok, não abusem...

Máquina Zero (Jarhead) - Esta por exemplo foi outro exemplo de inteligência. Neste caso ficar quieto não resultava. Tradução literal também soava um bocado mal (Cabeça de Jarro). A solução Máquina Zero é francamente a ideal. Como já critiquei aqui, agora elogio. Parabéns.
Terceiro filme de Sam Mendes, com Jake Gyllenhaal, Stelan Skarsgaard, Jaime Foxx e Chris Copper (grande elenco).

Adaptação da autobiografia do fuzileiro Anthony Swofford, "Máquina Zero" acompanha as reflexões de "Swoff" (Jake Gyllenhaal) no acampamento e nas missões durante a Guerra do Golfo - missões em que carrega o equipamento às costas através do deserto do Médio Oriente, sem qualquer protecção contra o calor intolerável e com os soldados iraquianos sempre à espreita no horizonte. Swoff e os seus companheiros aguentam-se com humor negro e absurdo no deserto escaldante, num país que não compreendem, enfrentando um inimigo que não conseguem ver, por uma causa que lhes passa ao lado.

Já foi dito que este filme é um teste ao aborrecimento. Parece que passa do ecrã para a nossa pessoa. E não será esse o objectivo do filme. O tédio?
A vida dos soldados não é definitivamente o que se pensa. Só tiros, diversão e lutar por causas. Cada vez é menos essas coisas. E o que o Éxercito não quer mostrar este filme mostra.
O que se passou no Iraque na primeira Guerra do Golfo (Operação "Desert Storm").
As imagens do trailer eram poderosas não se pode negar. A mim marcaram.
E aquele monólog de Foxx no final, terminado com um Hurrahh é poderoso.
Fiquei convencido.
Agora a questão é. Ficarei aborrecido? Ou simplesmente entediado.
Se o filme cumprir o objectivo, a resposta é óbvia.

Esta semana aconselho o "Máquina Zero". Pode não ser consensual ou sequer amado pela crítica mas é definitivamente uma temática que me interessa.
Estou lá. É o meu primeiro filme de 2006.

3 Comments:

Blogger Francisco Mendes said...

Sem dúvida meu bom colega.
Também é o meu primeiro filme de 2006, estarei na sala daqui a 3 horas. A ver vamos como Mendes se sai. A crítica foi algo dura, mas adorei o trailer. Será que a fotografia do genial Deakins se mantém em alta bitola? A avaliar pelo trailer a resposta é: Sim! E de que maneira!

A ver vamos...

Cumprimentos.

14 January, 2006

 
Blogger nuno said...

o caché deve ter sido o melhor filme q vi em 2005. a nível de realização n tenho dúvidas q foi o melhor trabalho q vi.

kkbb tb vi o ano passado e foi das melhores surpresas, contudo perde-se um pouco na narrativa.

jarhead... vive da fotografia e dos actores.

cumps

17 January, 2006

 
Blogger antonio_subtil said...

vim agora do cinema, achei o filme muito bom, a nivel de realização está espectacular, gostei imenso da cena em que ele leva com a poeira toda das explosoões

Mostra a guerra de uma forma crua vista pelo ponto de vista dos soldados de uma forma brilhante

19 January, 2006

 

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